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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

QUANDO O AMOR ACABA

A Paulo Mendes Campos.


Numa aurora pós insônia
Num despertar ao teu lado
Num entardecer ainda quente
Num céu negro estrelado

Quando não te olho nos olhos
Ou não desvio os meus para vê-los
Num sorriso sem graça
Ou na beleza de mantê-lo 

Acaba num pranto amargo
Durante um sonho ou pesadelo
Num rompante de fúria
Brisa sobre os ombros, cabelo

Quando o telefone toca
Ou quando o silêncio impera
Quando a solidão desola
Verão, inverno, outono ou primavera

O amor acaba e fica um vazio
Um gosto de desgosto
Um assombro, um calafrio
Desbotamento e lágrima no rosto

Num momento qualquer
Não haverá mais nada
Pra (re)nascer... outra vez
É que o amor acaba.


Bia Crispim

CHORO

Da lembrança
escorria lágrima
em abundância


Bia Crispim

MÃO ABERTA

Na palma da mão,
oferta.


Bia Crispim

VISÃO

A beleza residia
Em teus castanhos olhos


Bia Crispim

INDOOR

Uma porta abriu
E ele estava ali
Dentro de mim

Bia Crispim

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

SETE VIDAS

Sete vidas se foram
Entre dez dedos que
Inutilmente
Tentavam segurá-las (Em vão!)

Zeus, Deus, partiu
Pro Olimpo
Num dia nublado
Em que centenas
De lágrimas
Banhavam a terra
Que receberia
Seu pequeno corpo

Sete vidas se esvaíram
Em pouco tempo
Tempo que os dez dedos
Não foram (não são)
Capazes de reter

Outro ser, Chronos, Senhor
Incontrolável
Deu por findo o tempo
Do pequenino Zeus
Menino com quem
Dividira o sono
Sonho de outro dia
Mais um dia

Sete vidas partiram
E a minha vida ficou menor
Menos doce, menos serelepe
Menos felina
Choro e isso dói

Houve quem lambesse
Minhas lágrimas
Houve quem me seguisse
E se fizesse presente por toda casa
Minha tríade divina
Se desfizera

De Zeus, algumas fotos
Todas as lembranças
O calor do seu pequeno corpo
A maciez de seu negro pelo
E a delícia de ter sido
Gata-mãe até o último momento


Bia Crispim

PATCHWORK

retalhos fragmentos pedaços
cacos estrelas no céu conchas no mar
juntos numa coisa só
a envolver
a encobrir
a proteger
a aquecer
a aconchegar
tantos elementos unidos
numa vida
numa colcha
histórias estórias história
que fica
conservada
ou desgastada
se pue
se acaba
pelo tempo
pelas traças
em fundo de gavetas
ou baús
em algum tempo
lugar em que a memória
não mais alcança
mapa perdido
tempo ido
no lençol manchas
cortes lágrimas sangue fios e fiapos
outras costuras
outros retalhos
segredos sonhos e experiências
brinquedo
mordaça
afago
tudo na trama entrelaçado


Bia Crispim

terça-feira, 2 de junho de 2015

PROFUNDO

Ele era assim:
Um menino
Um menino que para mim era um homem.
O homem que eu queria naquela noite.
Viril.
Jovem.
E sedento.

Desejando-me sem escrúpulos.

E eu o queria dentro.
Inteiramente dentro da minha alma e do meu corpo.



Bia Crispim

ENQUANTO HOUVER FOME

Sinto saudades do que poderia ter sido e não foi.
Saudades dos beijos que foram interrompidos nos lapsos de consciência.
Do embate de corpos que ficaram nas camas separadas e na troca de olhares vacilantes.
Saudades sinto do que sobrou.
Do que poderia ter sido, do que foi, do que poderá ser - longínquo.
Tempo em que o desejo não se encontra com nexo.
Sinto saudades de cada palavra apaixonada, dita espontaneamente e ocultada aos ouvidos alheios.
Saudades de deixá-lo sem jeito e com tanta graça.
Saudades das revelações que eu ouvi e não mais poderei.
De cada verso deixado ao léu para me encher de poesia.
Poesia que eu não mais leio.
Saudades do que poderia ser escrito ou cantado.
Sinto saudades do ciúme e de me sentir prisioneira propriedade tua.
Saudades de te pertencer num futuro de próximo instante.
Qualquer instante.
Saudades dos arroubos.
Saudades do que poderia ter sido, do que será.
Tão diferente do que sonhei - sonho!
Porém, possibilidade.
Saudades do possível que alimentarei todos os dias,
enquanto houver fome.



Bia Crispim

EM MINHAS VEIAS

Catecolaminas
Minas de êxtase
De sabor
Na boca e no resto
(Corpo)

Catecolaminas
Movem-me
Em minhas veias
Ódio e amor

Indiferenciado
É tudo igual
Crianças lambuzadas no prazer
Preciso do teu norte, criança!

Catecolaminas
Potentes
Latentes
Máximo
Tronco de sensações

Multi
Pluri
A mesma coisa
Tão diferente
(Minas do que eu sinto)

Contigo na minha boca
Fora dela
Saudade
Cato, canto, conto
Sem respeito

Beijei-te
E és meu desejo
Íris dilatada
E gozo

Disparei simpática
E a única certeza
Era o teu ser
Extasiando-me


Bia Crispim