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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

SAUDADE

A leitura sempre foi-me um fascínio. As letras, os sons, as palavras e seus significados sempre despertaram-me curiosidade.
Aprendi a ler e a escrever e descobri um mundo, um universo sem tamanho, sem fronteiras, sem barreiras ou bandeiras.
Mas, independentemente de todas as coisas que a leitura despertou-me, nada me foi tão fantástico como descobrir a palavra.
"E o verbo se fez carne" - como diz a Bíblia. Só carne, não; se fez sangue, pele, cabelos, ganhou formas, tamanhos e cores diferentes... Eram seres.
Sempre admirei as palavras.
Algumas me soam lindas: dentifrício, vociferar, âmago, felicidade, sonhar, amar, coração, doce, rosa... Outras parecem-me horríveis! 
Suvaco, por exemplo, é podre! Soa mal, cheira mal. Parece qualquer coisa cabeluda e fétida, do que o encontro entre tronco e braço. Axila também não serve.
Pereba, frouxo, boga, arroto, enfim, horrorosas palavras na forma, no som e no sentido...
Criei amizade por algumas delas, por outras, escárnio, asco. Mas nenhuma palavra me desperta mais sensações que "SAUDADE".
Soa linda, tem gosto de coisa boa, cheiro de vó, de cama, de aconchego. Lembra beijo, carinho, companhia e a vontade de ter tudo isso ao mesmo tempo.
SAUDADE... Enchi-me dela agorinha mesmo! Hummm... Com direito a suspiros e recordações...
Então acho que o que tenho a fazer é algo que, semanticamente, entristece, mas que, na mais real das definições e contextos, talvez seja o melhor a realizar. Sabe o que é?!...
Matá-la! (Matar - que verbo forte e antagônico). Vou matar minha SAUDADE. Encantadora palavra tão significativa em si mesma e que só minha língua presenteou-me, tão sublimemente. 

Bia Crispim

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