Quem sou eu?

Minha foto
Descubra-me depois que adentrar na minha poética.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

SOLO PARA NARCIZO

Em um momento de tristeza, raiva e solidão.

No brilho do sol,
Escuridão.
No meio das gentes,
Ninguém.
Na estrada,
Nada.

No quarto, 
O vazio.
No coração,
Desolamento.
E o pensamento?
Na mente não está.

Na pele,
Ausência.
No sorriso,
Tristeza.
E a boca
Uma palavra
Não mais diz.

De dois,
Um.
De um, 
Meio.
E o meio se viu só.

Soli
      dão

Quem?
Quem se dá?
Quando se dá?
Posso me dar?
Para quem?
Não há ninguém!

E o solo
Sólido
Já não mais produz.
Há árvores,
Mas onde estão os frutos?
Comeram-nos?
Levaram-nos?
Deixaram-nos estragar por terra!

Não alimentaram,
Não brotaram,
Não frutificaram,
Permaneceram inertes.

Faltou água,
Faltou cova rasa,
Faltou a terra cobrir,
Faltou o solo nutrir.

Soli
      dão

Já não lhe dão
Já não se dão
E a luz se vai
Deixando o desolamento.

No caminho sem ninguém, 
O que ficou?
A cama sem calor
E o coração que só
Só escuta seu próprio pulsar...
Devagar...

Sem toque
A boca seca
E sem sabor
Doce já não há 
Tudo se amargou

E a metade?
De quem?
De quem não foi amado
E viveu só,
E morreu só,
Morreu viva.

Só lhe dão
Só me dão
Solidão

E a cabeça parou de sonhar
E os olhos fecharam-se
E o coração pedrou
Cansou de se ouvir
De se doar
De se sentir

E um dia
Tão só
Apaixonou-se por si mesmo
E afogado em sua própria paixão
Naufragou-se,
Narcizicamente.

Bia Crispim

Nenhum comentário:

Postar um comentário