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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

FAMIGERADAS BUNDAS

Ao meu amigo, Jerônimo Alves

"O que pode concorrer com uma bunda? 
Uma banda de bundas!"

"Uma banda sem bunda não é banda.
E uma banda sozinha, não é uma bunda."

São com esses questionamentos "filosóficos" que inicio minha crônica.
A paixão nacional saiu do comercial e se tornou real. Muito "Real". Tem bunda no seguro. A dona morre, mas a bunda tá assegurada. Chic!
Uma banda de forró, dessas que estão na moda, conseguem se manter, enchendo imensas casa de show, não pela música, mas pelas bundas das dançarinas. 
Faustão, por exemplo, também continua no ar, não pela competência, mas pela constelação de bundas do seu balé.
A empresa de cerveja que não expor meia dúzia de bundas, fica em desvantagem no mercado.
Bunda não é produto, é moeda. E cara.
As academias e os personal trainers que não produzirem bundas, caem no esquecimento e na falência.
Drummond já escreveu sobre a bunda. Queria ver o que ele escreveria hoje. Bundamor (palavra criada por ele) viraria bundacifras, decerto.
A indústria descobriu a bunda como Moisés, as tábuas. Encontraram a salvação.
O teatro, o cinema, seja qual for o programa de TV, sem closes e holofotes em bundas, não comercializa.
O mundo está desbundado. Abundantemente. E aqui, no Brasil, a bunda virou produto tipo exportação. Prostitutas e travestis brasileiros são mais caros, graças as nádegas brasiliensis. Vendemos também os exercícios para a tão desejada "bunda brasileira".
As mais desejadas do mundo por homens e mulheres. Desejos distintos, interesses diferentes, mas, por trás de tudo, uma finalidade comum: sexo.
Vagina já era! Bunda é a bola da vez... (Ou é a caçapa?!) Os pornôs anais que falem por si.
Pensamos bunda, vemos bunda, vendemos bunda, usamos bunda, fabricamos bunda. E elas estão ao alcance de todos.
Quer uma bunda? Compra na revista da AVON!
Vai num cirurgião plástico, silicone, lipo escultura...
Engorde, malhe, massageie... Se mate, mas tenha uma bunda pra ser admirada e para existir.
A filosofia antiga ensina, "Penso, logo existo." E a indústria da futilidade moderna consumista ensina, "Tenha, logo exista!" E ter uma bunda, não importa se com estrias ou celulites (é necessário volume, ser grande, roliça, maciça) faz de você um ser.
(...)
Estamos sendo devorados por bundas. As famigeradas bundas que como buracos negros, não se importam com o resto do universo.
E vão se importar por quê? Se são elas que se sentam nos tronos reais e presidenciais, nas cadeiras do poder e comandam as nações!
Deus salve a bunda!


Bia Crispim

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