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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

QUANDO DER


Quando, como e por que perdemos a sintonia com as pessoas?
Quando paramos de prestar atenção a elas, ou isso não passa de um golpe das circunstâncias?
Talvez seja porque não demos a importância devida.
Afinal de contas é só uma pessoa. Mais uma pessoa que encontramos na vida.
Realmente, há pessoas e pessoas. Nem todas contemplam-se igualmente.
Tantos amores vemos sucumbirem porque há devoção só de uma das partes; quantas amizades não se separam devido à incompreensão ou à falta de diálogo.
Nós, pessoas, estamos ligadas umas as outras e devíamos comungar de interesses e sermos cúmplices. Mas para isso há a necessidade da partilha, da confiança, do entendimento. 
Faz-se necessário perguntar: 

  • E aí?! O que você quer de mim? 
  • Como você me vê? 
  • O que  você espera de nós? 
  • Como quer que eu te veja? 
  • Como é que você quer que eu te trate? 
  • Haverá intimidade entre nós? 
  • Até que ponto? 
  • O que posso saber da sua vida? 
  • Até onde posso ir? 
  • Posso te tratar de uma forma especial porque sinto você assim? 
  • Posso esperar isso em troca, ou não?
Quantos questionamentos!!!! 
Mas somos pessoas! Falhas, incompletas, pertencentes ao outro, aos outros. 
Somos seres sociáveis. Podemos nos dividir, podemos compartilhar. Mas sempre haverá pessoas com quem isso será mais intenso. 
Tenho muitos amigos, muita gente boa perto de mim, muitos colegas e conhecidos. Mas escolhi alguns a quem minha vida deixei pertencer! 
Só errei em uma coisa... Esqueci de fazer as perguntas... 
Esqueci de perguntar se a  forma que meus olhos  os viam era recíproca! Acreditei que sim... Parecia-me! Deram-me pistas!
Mas, coloquemos um ponto final nisso. Só assim, a próxima linha pode ser escrita...
E quem sabe não comecemos uma história diferente, mais bonita, ou mais cúmplice, ou simplesmente uma história comum, de amigos, casuais, que se encontram e se compartilham, no meio de muitos, igual aos demais, quando der?!


Bia Crispim

BEIJA-FLOR

À doce menina Angelita


A lâmpada lá de casa deu a luz. Na varanda, entre o fio e o bocal, um beija-flor pousou, construiu um ninho, graveto a graveto, capim a capim, aconchegou-se, aninhou-se, com certeza, apaixonou-se e beijou muitas flores. Prenhou-se de pólen, de doçura... açucarou-se. 

De barriga cheia, adormeceu...

Acordou agoniado, asas rápidas, inquietude, tremor, sensação nova. Maternou-se em ovos. Dois! Onde a vida germinou. Da casca, flor aberta, outros bicos, outras asas, outros voos.

Sozinha a mãe observou os filhos que aprendiam a beijar flores. Viu-as abrirem-se ao toque exasperado dos bicos desejosos, ansiosos... Novos sabores e novos prazeres.

Beijo, de bico, de flor. Bico que se aninhou em outra lâmpada, para ver uma nova luz brotar.   

                          
                                                                                                                                                Bia Crispim