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segunda-feira, 16 de abril de 2012

ESPAÇO

A Santhiago Brenno, grande amigo.


Uma voz
Palavra criadora
Fez o Espaço


Espaço 
Vitrine divina
Lugar de eclosão
E surgimento


Útero, Espaço de vida
Semente, Espaço de broto
Germinação do novo
Do inédito


Espaço
Aberto ou fechado
Longe ou perto
Alto ou baixo
Grande ou pequeno


De aconchego, colo
Cama, Espaço de amor
Casa, Espaço de família
Céu, de estrelas


No Espaço entre terra e firmamento
O horizonte
Entre praia e mar
Ondas
Entre uma palavra e outra
Espaço e silêncio


Lugar para preencher
De tudo
De amor
De harmonia
De alegria e beleza


Entre os lábios
Espaço aberto para o sorriso
Abertos braços
Espaço para o abraço


Canto, recanto
Morada e trabalho
Espaço para viver, amar e labutar
Mesa, Espaço para a comida
Para escrever e criar


Papel em branco
Espaço para invenção
Coração sem amor
Espaço para a paixão


Corpo, Espaço grande
Onde o cheiro se encontra
Onde a cor se molda
Onde a moda se faz
Espaço vivo de sentir


Espaço de encontro
Igreja, clube e praça 
Cadeira de balanço na calçada
Espaço para a prosa


Noite sem lua
Espaço pros astros
Dia sem chuva
Espaço pro sol


No Espaço
A aparição
A criação
E a existência


No Espaço
Me faço
Me crio
Me propago


No Espaço
Evoluo
Cresço
Atinjo
E enlouqueço


Por mais Espaço
Por todos os Espaços
Para que onde quer que ele exista
Haja uma parte de mim.




Bia Crispim

REESTRUTURAR

Dei sorriso
Ouvi felicidade

As palavras
Os sentimentos
Misturados
Unidos

Dei-me
Ouvi

O perdão
O amor
A alegria
E nossa cumplicidade

Dei perdão
Ouvi gratidão

Desculpe
Eu te amo!

As palavras
Engasgadas
Entaladas
Bloqueadas

Dei amor
Ouvi sorriso

Os sentimentos
Aflorados
Machucados
Desabrocharam 
Redimidos




Bia Crispim

ANINHAMENTO SUBVERSIVO

A Vannila Vogue, pelo brilhante conceito de "aninhamento subversivo"


Aninhamento - palavra que desperta a minha mais profunda vontade de estar perto, de prolongar-me no outro, de fazer parte dele, de lhe/me dar continuidade e estendermo-nos em contínuos momentos de colisão.
Ninho - do entrelaçado, da tessitura, do emaranhado. 
Conexão desconexa de pernas, pelos, braços, saliva e suor, membros, partes, labirinto de gente que não finda. Completude e brechas. Preenchimento e espaço. Lugar de calor, por onde a vida eclode.
Aninhar-me em todos, em mim, nos meus pensamentos e desejos e nos de quem os tiver.
Vontade, desejo de partir-me e unir-me, de sair da casca do ovo, mas não abandonar o calor das asas.
Aninhamento de ninho.
Ninho é família.
Ninho são amigos.
Ninho somos nós dois ou três ou quantos couber.
Ninho é união, aconchego, descanso.
Aninhamento é ninho.
É palavra subversiva. De amplitude semântica, de várias faces, de várias imagens. 
Vejo todas elas. Sinto todos os que já se aninharam outrora. Muitos.
Gosto, preciso, amo!
É parte de mim: o ninho, o aninhamento e a subversividade.
Cotidiano - estar perto, colada, tocando, beijando, afagando, olhando profunda e fixamente através dos olhos para atingir a alma alheia.
Encaixe entre o que sou, o que me pertence aos mundos que não são meus.
Aninhar é permitir-me descobrir, entregar-me, ser descoberta e avessada.
É sentir o universo invadir-me para que me sinta parte dele.
Bicho sem asas - prefiro o ninho.
Acolhedor, amoroso, lugar perfeito para se grudar e se fazer um.
Bola de vida pulsante que palpita sangue, amor, companheirismo, volúpia, presença, apoio, amizade, sensação de único, pleno e completo.
Aninhamento - palavra que desperta a minha mais profunda vontade de nunca precisar sentir-me só.


Bia Crispim