Quem sou eu?

Minha foto
Descubra-me depois que adentrar na minha poética.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SONHO DE FELICIDADE

A meu amigo, Carlos Júnior

Os dedos do sol despertaram-me suavemente. Calor frio anunciando o acordar que já gritava lá fora.
Serenata de ruídos sonolentos e pássaros compunham o concerto matinal.
O aroma do queijo derretido na chapa e do café com leite embrenhava-se narina adentro. Os vizinhos já estavam de pé.
"Tenho que levantar", pensei.
Apesar de o corpo ainda pedir um pouco mais de descanso, eu tinha uma viagem a fazer. Iria conhecer as intensões de um homem que me atraiu e que disse, um dia, que me amou.
Preguiça, bocejo e alongamento. Estava prestes a abandonar a cama e o sono para atirar-me em um sonho: o de ser amada inteira e plenamente.
O banho gelado fez a pele abrir os olhos. Acho que foi aí que despertei, de verdade.
Havia ainda uma bolsa para preparar, havia gatos para alimentar... "Haveria algo pra comer?"
Não ali!
Cabelos penteados, dentes escovados, asseio feito, encontrei-me pronta para a partida.
À porta, sensação estranha de que não voltaria mais. Todavia, duvidei do pensamento. "Por que não voltaria? E minhas gatas?"
(...)
A viagem foi de resto um misto de sono-sonho-realidade. A cadeira macia, as cortinas fechadas e o ar-condicionado convidavam Morfeu a acompanhar-me na trajetória brumosa que começava.
Estava eu em frente daquele rapaz, tão branco, tão lindo, de voz tão firme e aparência tão decidida.
Sem muito tempo para formalidades, de súbito tomou-me num abraço e num beijo. Boca pescoço colo seios ventre... Eu estava nua, no meio de um grande terreno reservado para a montagem de circos, onde eu, agora, era o espetáculo.
Aquele homem explorava meu corpo enquanto os solavancos reais da viagem pareciam-me espasmos de gozo incontido. Gemia, contorcia-me. Ele, com a cabeça entre minha pernas fazia-me esquecer que havia mais alguém no mundo além de nós.
Numa voracidade, tomou-me e então eu tremi e gritei. Urrei, deixei-me possuir até que o êxtase apoderou-se de mim...
Um suave toque de mão masculina despertou-me: "Chegamos, senhora!" - disse-me o cobrador do ônibus.
Pisquei os olhos, bocejei, espreguicei-me feito gata. Estava molhada.
Sensação de prazer pairava no semblante.
Então levantei-me e parti para ver o sonho tornar-se realidade.
Um homem estava a minha espera. E eu mais que nunca tinha fome e sede dele.
Sabia agora a resposta do estranho pensamento de que não voltaria.
Um sorriso acompanhava-me quando entrei no táxi.
- Para onde, senhora?
- Para a felicidade, meu caro. Para a felicidade

Bia Crispim

Nenhum comentário:

Postar um comentário