Quem sou eu?

Minha foto
Descubra-me depois que adentrar na minha poética.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

TEMPOS DE MORTE

A morte tem espreitado meus lados
A navalha abriu o ventre
Em bandas
Duas vezes me cheirou

De súbito

Uma substância
Fez arriar 
O pilar, a viga mestra
Prole em alvoroço

A morte deu sinais
-"Estou próxima", dizia

Fragilidades humanas
Homens, o que somos?

A vida morre de medo da morte
Nosso paradoxo

O cromossomo defeituoso
Manifestou-se
Progrediu
Ganhou nome:
Steinert

Era assim que a morte 
Apresentava-se depois
De ouvir os músculos
Em bombardeio

Som de morte
Guerra interna

E do lado de fora,
Pranto e dor
Dúvida e inutilidade

E a criança
Dengosa
Saiu do núcleo familiar
Arrebatada
Ganhou leito, cuidados
Remédios
Outra família

"O cuscuz de vovó é melhor"
Saudades de casa

A morte assustou
Assusta
Criança. idoso
Homem, mulher

A morte espreita meus lados
Todos
Sempre
E o que nos resta
É choro e Deus

Preciso descansar
Ponho "o rosto no travesseiro
fecho os olhos para o ensaio"

A morte habita em mim.


Bia Crispim

Nenhum comentário:

Postar um comentário