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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

HÁ DIAS BRANCOS

A Juliano Varela, meu Nêgo.

Há dias em que uma palavra te inunda de LUZ. Feito estrela cadente que alumia desejos; feito clarão de relâmpago rasgando a tempestade; feito lampião a aclarar o Sertão.
Há dias em que a CHAMA se acende viva e quente e pulsante e vibrante, dentro e fora.
O FOGO amarelo azulado luminoso aquecedor veio do escuro.
Escorreu das mãos de um NEGRO.
Meu... tão meu quanto minha LIBERDADE.
Saiu do oco cheio negro de sua cabeça coberta de CACHOS, os quais aninho entre meus dedos em dias de CARÊNCIA e TROCA.
Saiu de um negro MENINO, antigo aprendiz que fez do MESTRE, seu PUPILO.
Papéis invertidos na folha branca do DESTINO.
Há dias BRANCOS que nascem do negro, do ESCURO, da pele melaninada, da audácia própria da COR de quem, negro, se faz DOUTOR. Rompedor de BARREIRAS.
Quanta CLAREZA ainda não sairá dali.
Quanto de ENSINAMENTO o novo mestre não deixará sorver de seus poros, tão cheios de AXÉ e REGGAE, de VOLÚPIA e AMOR, de LIBERDADE e LIBERTINAGEM.
Negro LIVRE tão PRESO a mim.
Tão preso a minha história.
Há dias brancos, sim, senhor!
Há dias brancos, sim. Sim, senhora!
Dias em que PERMITIR ser FELIZ e AMADO não é escolha, é roleta-russa. De onde a bala certeira atinge como flecha de CUPIDO e enche e transborda o ESPÍRITO.
Nesses dias brancos de tão negro, OVULO e dou CRIA.
Minha cria, meu ORGULHO, meu MENINO-HOMEM-MULHER-SER INQUIETO.
Um dia branco... Outros tantos... Muitos outros.
Dias de CRUZAMENTO, de INTERSECÇÃO em que perder-se um no outro é COMPLETUDE.
Dias brancos! Cheios de RISOS e FESTAS, e BEIJOS e ABRAÇOS e OLHARES...
CARINHO AMOR IMENSO que a mente registra como algo bom: AMOR AMOR AMOR.
VITAL, meu amor. Tão nosso!
TRANSCENDÊNCIA de almas que faz da DISTÂNCIA, PRESENÇA; da LIBERDADE, PRISÃO.
SINTONIA, SIMBIOSE, SINTO esse Negro na minha alma branca-negra-mulata-índia-fêmea.
Sinto os dias brancos que se fazem PERTO-LONGE do meu aprendiz-mestre.
Dias brancos em que seu ensinamento são as PALAVRAS que brotam de seus lábios tão doces e, às vezes, tão amargos de REALIDADE.
Palavras que me fazem ser feliz, completa, MULHER, questionamento e ICOGNITA.
Meu outro lado. Meu outro ser.
Ser meu contrário, meu PARADOXO...
É! Há dias brancos.


Bia Crispim


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