Quem sou eu?

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Descubra-me depois que adentrar na minha poética.

domingo, 17 de novembro de 2013

HUMOR

Ao Leão 21

Por que humor?
Porque você me faz bem,
Porque você me faz feliz,
Só em sorrir.

Riso com os olhos,
Alma em festa,
Contágio alegre
Que chega a mim.

Por que humor, amor?
Porque você é festa,
Porque você é dia ensolarado,
Noite estrelada e luar.

Coração grande e quente,
Dedos dedilhando a viola,
Olhos brilhantes de vida,
Língua doce e sonora.

Por que humor?
Porque você é diversão
Porque sua felicidade é cara
E me inunda o coração.


Bia Crispim

QUEM É ELA?

Quem é essa mulher?
Que povoa meus recônditos segredos?
Que, no íntimo, no sonho delirante
É a mais fêmea entre todas?
Quem é ela que me faz querê-la
Mesmo que distante,
Mesmo perto e temeroso?
Mulher que me mete medo e fascina.
Incógnita, grande Esfinge que me devora,
Pois não sei decifrá-la.
Quem é essa mulher?
Que me faz homem com sua gula, voracidade?
Que me faz criança protegida com seus cuidados?
Mulher que me mima;
Mulher que me esgota;
Visão sedutora de deusa;
Mosaico de muitas;
Multi;
Aquarela pintada pelos meus dedos
Sensíveis à pele suave,
Suada, macia e suculenta.
Quem é essa mulher?
De lábios grossos, grandes
Em que cabe um mundo:
Mundo perturbador;
Mundo avassalador.
Experientes e curiosos lábios
Que tateiam meu corpo
Como um prato  a se degustar.
E devorado, torno-me indefeso.
Mulher, quem és?
És mulher ou ser mítico?
Vens de onde?
E para onde queres me levar?
Guiar...
Materna e faceira,
Irmã e amante,
Vulcão e calmaria.
Quem é essa mulher?
Quem é ela?
Que meus olhos veem e sonham;
Que minha boca beija e treme;
Que meu corpo anseia e repudia;
Que seu toque me torna puro e pecador;
Que seu cheiro me alucina,
Me invade, me entorpece.
Cheiro doce, frutal, floral...
Absinto e embriaguez.
Quem é essa mulher?
Quem é ela?
Quem és tu, enigma?
Mulher?
 

Bia Crispim

FRANCESINHA

Mon ami!
Mon amour!

Que diferença tão tênue
entre um amigo
e um amante!

Bia Crispim

CONVITE

Eu e você
chalé e frio
voz e violão
vinho e calor
queijo e fondue
frente a frente
lado a lado
boca e beijo
palavra e ouvido
pele e pele
cama e lençol
sono e sonho
dia e despertar.

A festa acabou.

Bia Crispim

ETERNAMENTE

Queria encontrar uma palavra: a palavra
certa, direta, concreta,
pra que você pegasse perto,
trouxesse dentro
e sentisse e cheirasse e tocasse.

Pra conhecer o que tenho no coração
e que faz meu corpo,
só ele, tremer
de vontade ou desejo,
de amor ou sonho,
de indignação ou angústia.

Detesto-me,
pois não sei da palavra,
não consigo encontrá-la
nem fazê-la uma coisa:
um bicho, talvez,
que você pudesse por no colo
e aninhar e acariciar.

Aconchegadinha em você,
eu dormiria sossegada,
feito esse bicho que desconheço,
mas tão concreto quanto essa dor,
esse engasgo, esse nó
que me prende
e me limita a transpor
o que, em mim, quer explodir.

Implodo-me
em minhas próprias ideias e pensamentos,
na minha natural limitação
de não saber dizer tudo.
Mas eu não queria o tudo.
Queria só uma palavra.
Aquela que fizesse você ser meu.
Eternamente.


Bia Crispim

sábado, 16 de novembro de 2013

AS BRECHAS

Brechas, frestas, raios de sol 
cortando o noturno quarto, 
o noturno sono, 
meu noturno eu.

 Bia Crispim

FILISTÓVISK

O que é Felícia
Se não for malícia?
Se não for pilhéria?
Se não for amiga?
E/ou irmã?

É psicologia
É alegria
É farra de graça
É arruaça
É imã

Que puxa
Que prende
Que atrai
Que zomba
Que se erga e cai

É conselho
É direito
É professora
É doutora
É dona de prosa boa

É homem
É mulher
Macho e fêmea
Tudo junto -
O que quiser 

É riso abundante
Andarilho, viajante
É Filisteia
Felícia, feliz
Do jeito que é.

Bia Crispim
 

NO LOVE, YET

He's a man
He's the man
He's my man

I'm a girl
I'm the girl
I'm his girl

But he's never known that
But he hasn't loved me yet

He's a dream
He's the dream
He's my dream

I'm just a girl
One more girl
Not his girl

And I love him
And I want him

But he's never known that
But he hasn't loved me yet


Bia Crispim

DEIXA EU DORMIR EM VOCÊ!

A Alessandro

Deixa eu dormir em você!
Era o pedido que meus ouvidos saboreavam.
Pedido convite
Entrega e segurança,
De quem sabia que em meu peito
Sentiria paz... temperança.

Dormiria os sonhos mais açucarados
E se viessem aterradores,
Nem males, nem dores,
Pois desperto do terror, encontraria-se
Inteiro e profundamente meu.

E com olhos sorridentes e madorrentos
Voltaria a devanear sorrindo
Em um mundo onde o que era
Sempre seria e sempre será.
E gozaria dos pensamentos que também me pertenciam
E iríamos nos amar... amar...

Na tranquilidade de estarmos juntos
Haveria troca, prazer e frenesi.
Aglutinaríamos nossas almas e corpos
Num encontro  oxímoro de opostos
Em que teu pedido
Receberia um sim.

Sim, menino, deixo-te dormir em mim!



Bia Crispim

DIJO MENTIRAS

Dijo que no quería
Dijo que no sabía

Pero quiero
Pero sé

De tu querer
De te querer

Dijo que no sentía
Dijo que no deseava

Pero siento
Y deseo

Sentirte
Desearte
Mi sueño más profundo

Déjame querer
Déjame saber
Y desear

Tu cariño
La piel tuya
Tu cuerpo
Soy toda tuya.


Bia Crispim

BIBI

Little baby
Little Bibi
Baby Bibi
Bibi baby

Soft, sweet baby
Naughty, dangerous Bibi

In my mouth, baby
In your tongue, Bibi

Sweet mouth
Soft tongue
Naughty baby
Dangerous Bibi


Bia Crispim

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ESTRELAS

De quando elas brilharam, as estrelas?
De quando sorrimos.
De quando nos jogamos na areia e olhamos para a imensidão
Esperando que caíssem sobre nós
E realizassem o que mais queríamos.

De quando sentimos frio
Vendo-as se esconderem atrás de nuvens:
Nuvens-coisas, nuvens-bichos, nuvens-chuva
Muita... Caindo, caindo, caindo...
Caindo feito estrelas
Obscurecidas pela água toda abundantemente
Que nos lavava
O corpo, o espírito, os pensamentos, os desejos.

De quando, impulsionados pelo medo e a coragem, 
Entramos em contato com o mar
E com as estrelas que lá habitam - 
Habitam feito seres opacos, no solo,
Habitam feito seres celestes, boiando na superfície,
Ou presas sobre o mar, longe, brilhantes,
Ou ainda, nos olhos que se cruzavam:
Faíscas ou brasas de uma fogueira recém-apagada.

De quando as estrelas brilharam?
De sempre e por todo o sempre.

Bia Crispim

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A SEREIA E O LEÃO

A Junimar Medeiros

Sereia na areia,
Ilha de pedra,
Cantava melodia
Que ganhava o ar.

Voava voz suave,
Doce e harmoniosa
Pelo vento, soprando,
Sobre as águas do mar.

E rápido chegava
Ao céu, penhasco,
Hipnótico som
Leve, lento e louco.

Leão sobre a pedra,
Longe e solitário,
De rosnado forte,
Aterrador e rouco

Ouviu, encantou-se,
Dormiu e sonhou...
E num voo de mergulho
No mar repousou.

Leão e Sereia
Amaram-se,
Rolaram,
Odularam...

Provocaram fúria
E paixão.
E nas ondas revoltas
Brotava rosa, flor e botão.

Leão, rápido e bonito, 
Num lampejo
Rasante
Livre e infinito

Levava, em suas garras,
Apaixonada, 
Uma Sereia 
Que também sonhava.



Bia Crispim

domingo, 14 de julho de 2013

GARGANTA ROUCA


Rugi,
rasguei tuas roupas,
ruminei cada palavra dita:
rompida da garganta rouca.

Rastejei rasteira,
ralando-me nos restos  do que ficou
de mim, de ti,
do que era raro e se quebrou.

Risquei teu nome
do que restou dentro.
Ri a risada mais canina,
rara rompendo

os riscos e rabiscos,
os discos mais ricos,
os livros compartidos,
os sonhos não vividos.


Bia Crispim

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A BOBA E O MENINO

Falar que é amor, talvez seja exagero.
Mas é vontade.
É querência.
Carência, pode ser.
É desejo, pele, química...
Corpo pulsando pulsante. (Quente.)

Quente o coração acelera.
Esquenta, mas dá um frio (dentro).

Dentro
germina alguma coisa
que perturba:
uma semente deixada.

Não sei se o olhar,
ou o sorriso,
ou a voz doce.
Quiçá tudo isso junto.
E mais o quê?

O toque, a delicadeza dos atos,
o cuidado (de quando estamos a sós),
ou esse carinho que ultrapassa o senso,
transpõe as barreiras,
os olhos alheios,
para vivermos num mundo onde só nos cabe.
(Redoma.)

Quem mais, além de nós, entende?
Quem sabe o universo.
(Indiferença nossa.)


Há certas ocasiões em que imagino que esse nosso mundo pertence só a mim.
Devaneio, desvario meu, onde tu cabes.

Aí, de repente, apareces assim:
menino, terno... apaixonante.
(Apaixonado?!)
Conversa comigo pelo olhar
e desperta-me. (Ele conhece esse lugar.)

Como me vês? Igual?
Ou, sou eu que, atordoada, creio e quero (n)isso.

Perturbador, provocador,
abre-me as janelas,
escancara-me as portas,
porém não consigo transpô-las.

Medo?!
Dúvida?!
Timidez?!
(Sinto)

Sinto medo de afastá-lo.
Duvido de tudo e se tudo ou quando tudo...
Intimido-me diante da liberdade que me dás de ser meu,
de eu ser tua.

Tua?!
Quando?
Tarde ou nunca?
Ou a qualquer hora?
(Sempre.)

Há uma membrana,
uma nebulosidade,
um elo que ainda não foi encontrado, 
uma experiência não vivida.

Tenho-te fragmentado...
Quero-te inteiro! 

Por onde começar?
Ou é melhor silenciar-me?
Conversar?
Sobre minhas inquietudes
ou da paz que sinto em estar contigo.
(Senti-lo.)

Quem és tu, menino, em cuja presença meu corpo treme?
(Arrepio.)
E sente vontade de...
Invadir,
consumir,
delirar,
dormir e sonhar.

Quero-te meu.
Loucura ou birra de menina malcriada 
que quer por que quer o brinquedo que julga seu.

Brincamos, mentimos, disfarçamos, provocamos.
Será um jogo?
Certamente o é.
E és tu quem dita as regras.
E eu as desconheço.
Sou brinquedo teu.

Quem és tu, menino?
Quem sou eu nesse tabuleiro?
Quem somos nós?
Rei e Rainha,
ou peões de um joguete do destino?

Não há respostas nos livros que leio.
Nem no que escrevo. (Palavras indecifráveis.)
Nem os outros podem dizer. (Não saberiam.)

Ou, certamente, sim,
caso nos vissem próximos.
E, talvez, dissessem algo:
(A verdade?!)
- Lá vai a boba diante do menino.
- Lá vai o brinquedo que brinca com a brincante.

Bia Crispim

terça-feira, 2 de julho de 2013

REFEIÇÃO

Houve um tempo em que te quis inteiro.
Todo.
Apoteótico.
Feito Apolo cavalgando o Sol.
De corpo uníssono, para ser devorado de uma só vez.

Não senti o gosto nem o prazer que sonhara.
Teu sabor não foi tão bom
e tu ficaste preso na garganta
como espinha de peixe
ou angústia
ou choro de remorso.

Cuspi-te fora.
Apesar de a boca cheia d'água, 
sedenta de ti e voraz.

Aí veio o tempo em que te quis as partes.
Todas elas.
Uma de cada vez.
Petiscos para meu prazer.

Primeiro comi teu cheiro
e o olfato despertou-me a textura
e o sabor de tuas carnes.

Depois comi teus olhos
e eles me encheram de vida
e paixão
e delicadeza
e encanto.

Requintei,
sensibilizei meu paladar
e teu sabor me foi o melhor.

Em seguida comi tua boca
e nela veio teu sorriso
e tua língua
e teu hálito.

Entendi tuas palavras,
tuas ideias
e a fome que sentias de mim.

Descobri ali que tu também me querias
em teu nariz e olhos,
em tua boca e pele,
em teu coração.

Daí almocei-te 
(entrada, prato principal, sobremesa e um cafezinho para um cigarro.)

E por último deixei-me virar ceia.

À noite, tarde, toda.
Por partes,
aos bocados,
em pedacinhos.

Até que nos consumimos
e viramos sol.

Só no amanhecer.

Bia Crispim

sexta-feira, 7 de junho de 2013

LA TORTURA

leite
quente
endurecido
e derramado

chorei por ele
desperdiçado

deleite
doente
embrutecido
prometido

nunca alcançado
lacrimado

de noite em noite
em gotas
em pingos
brancos

amarelados
avermelhados

chorei o leite
a pele e o beijo
o cheiro e o gozo

desgosto
sem gosto

meus olhos laços
eu sem braços
abraços
só soluços

teu leite
meu ventre

intacto
impacto
esperando ferver
esperando viver


Bia Crispim