Quem sou eu?

Minha foto
Descubra-me depois que adentrar na minha poética.

terça-feira, 30 de abril de 2013

AULA DE BIOLOGIA

Ao meu sinestésico professor de biologia, toda admiração de uma aluna intrusa.



Feliz?! Radiante!
O professor ruminante 
falou de biologia,
gia,
sapinhos a pular.

Luz do sol,

arrebol
e os ciclos.
Circo, 
círculos, 
nichos, 
bichos, 
show e risos.

Disse do nitrogênio.

Gênio!
Nitrato,
nitrito,
atritos harmônicos,
ecológicos.
Lógicos!

Com um sorriso feliz.

Raiz, 
raízes,
bases e teses.

Duas aves

em movimentos.
Dois indivíduos
separados pela 
espécie. 
Dois caminhos
em associação.

Viver juntos:

frutos e insetos,
delicados e brutos,
animais e arbustos,
rêmora e tubarão.

"Eu não perco,

nem você."
Ganhamos, então.
Grande lição.

Mutualismo,

predatismo,
bióticos e
abióticos.
Óticos olhos
abertos a 
aprender.

Ouvidos atentos.

E o professor ruminante
falou do lápis
e do caderno,
da quimiossíntese,
da fotossíntese.

História linda de saber.




Bia Crispim

sexta-feira, 26 de abril de 2013

BOLA VERMELHA DE FOGO AMARELO

A música tocou azul
e eu surgi amarela
como um amanhecer
agradável.
Amável em teus olhos.

Alaranjei ao entardecer

para ver o sol se pôr
e trazer a noite
escura, colorida,
luzente e brilhante.
Ofuscou-me!

No meio da incandescente

escuridão,
fiquei vermelha.
Virei brasa 
ardente, quente.
Queimei-te.
Assustastes?!

Foge, não!

Venha para perto, 
fica amarelo.
Esquenta-te,
acalenta-me.

Vermelha-te brasa!

Ganha asa!
Bola de fogo no céu
para eu brincar
em um dia todo azul.



Bia Crispim

sábado, 20 de abril de 2013

CORPO SEM JUÍZO

Encostado no teu,
meu corpo se excita, 
teu pênis enrijece
e eu me derreto sobre ele.

Provo do teu sabor

e tu, do meu.
Trocamos intimidades.

Depois, pouco a pouco,

minha parte mais íntima
recebe a tua
penetrando-me com delicadeza, 
fazendo-me sentir
cada pedaço de ti que me invade.

Movimento leve que me causa delírio.

Entrar e perder-te, 
sair e quereres voltar

e assim, me deixar louca,

até que, sem juízo,
conhecemos o prazer de sermos um.



Bia Crispim

AMAZONA

Quero cavalgar sobre você
Como faz uma amazona
Domar seu varão
Fazê-lo meu alazão

Controlar seus impulsos de macho

Ter você sobre minhas rédeas
Com você por debaixo de mim
Deixando-me ser Diana

Quero trotar

Quero correr, sentir o vento
Assanhar meus cabelos
Enquanto cavalgo

E só parar 

Para um breve descanso
Pois tenho a noite toda
E um mundo inteiro pra percorrer



Bia Crsipim

PLANTIL

A mão prepara a terra
Como seu toque prepara meu corpo
A língua saboreia a fruta
Como a sua boca prova de mim

E como a terra preparada
Meu corpo espera 
Que ele me semeie
Que seu membro invada-me
Que sua ereção abra-me em bandas
Que sua ejaculação inunde-me

A espera do gozo que está pra brotar


Bia Crispim

A CASA

A casa era toda feita de tijolos cozidos brancos à mostra.
Ampla, grande para abrigar muita gente: AMIGOS.
Quadros coloridos, máscaras, telhas pintadas, painéis multirraciais.
Em cada canto um altar e imagens esculpidas na madeira bruta. Vida de santos e mártires. Estantes, livros e cristais.
A casa que abriga gente, abriga pássaros que se sentem no direito de entrar janelas largas abertas adentro para beliscar as migalhas da cozinha. Abrigo de cães e lagartixas.
O vento trazia o mar, atravessando cercas pintadas de vermelho e branco. Madeira e trepadeiras entrelaçadas... Floridas.
Nos cantos canteiros, o agrião tremia na língua.
Hortelã, manjericão, tomates... uma horta.
Daqui e dali, sons de mar e vozes, conversas muitas de amigos e amantes.
O cheiro da cozinha arreganhada para todos os lados da casa aumentava a gula, atiçava o estômago e os olhos cresciam para se alimentar de tantos sabores.
O caranguejo, o pirão, a feijoada preta, a salada e a sobremesa... Hummm!
De vez em quando, cheiros e sabores novos. Café, jerimum caboclo e rapadura. Cascas de laranja cristalizadas, tabaco, ervas, incenso e cerveja pra brindar.
A casa abrigava borboleta, enorme sobre o telhado.
No aconchego daquele lar, que murmurava mar, vento, histórias e sorrisos, aprendia, eu, o ensinamento da temperança.
Temperança... Palavra bonita de ouvir e importante para ser compreendida.
A piscina em forma de estrela que caíra no jardim, imitava um senado, um forte. Cinco pontas para cinco cabeças, mergulhadas, que pensavam e discutiam; gargalhavam de fatos e assuntos engraçados.
Conversas de viagens, de pessoas, de relacionamentos.
Ao lado da horta, a casa também abrigava balanços e gangorras e mesa com cadeiras para mais conversas, à noite, ao ar livre, observando estrelas e a lua minguante que sorria, vendo, talvez, a linda borboleta do telhado. 
Línguas de gente misturadas com as da natureza.
Beija-flor, pombos, pardais, vizinhos e frequentadores assíduos. Bento, menino, criança benta e tagarela.
As redes guardadoras de sono. As camas aconchegantes e a paz, em cada movimento executado ali.
A casa permitia descobertas. Frestas e recantos que guardavam segredos e surpresas.
Uma vida para decifrá-la.
Ótima anfitriã, a casa.
Anfitriã de homens, mulheres, crianças e animais.
Anfitriã da temperança divina.
Deus habita ali.


Bia Crsipim

PERMITIR

Em teus olhos cor de água
Naufraguei
Senti a paz emanada
E o fogo que ardia
Nas profundezas

Desejo-pavor-loucura
Corpo e razão
Um duelo 
E lágrimas

Da tua boca
Da tua pele
Um vulcão
E a chuva da lógica
Freava as lavas

Permitir-se
Deixar agir
Sem cérebro, impulsivo
E esperar que amanhã
Não haja culpa

Amar sem medo
Uma única vez
A libido pensa
E no pensamento
Plenitude e êxtase

Juntos, mar em fúria
E erupção
Forças da natureza
Incontáveis hormônios
Feromônios
A nos (a)trair

Tesão, medo, perigo
Vontade, desejo, volúpia
Profusão, confusão
E uma certeza:
Queremo-nos

Evitar? Adiar?
Frear? Impedir?
Será possível?
Se ainda somos
Animais?

Perto de ti 
Irracional e louca
Fazer do meu corpo
Seu ninho e aconchego
Necessitas de mim?
Eu preciso

A inquietude
O sono perturbador
Eu, Tu
Uma ideia fixa
Enlouquecedora

Deixar rolar
Acontecer
Fazer brotar
Dar-nos a chance
E permitir que
Sejemos felizes.



Bia Crispim

segunda-feira, 15 de abril de 2013

SOMOS

Um leão
Saído de ti
Devorou o mar
E soprou um som
Em meus ouvidos

Inundação


Amigos, cúmplices

Somos muito
Um para o outro

Lua e sol

Fogo e água

Diferentes

Tanto, tão iguais

Meu branco

Meu bicho, eu digo
Meu anjo
Luz da minha vida
Assim me falas

Gente boa

Gente fina
Gente

Pele sem sexo

Desejo e gozo
É bom estar
Perto longe
Longe perto

Na memória
No sonho
Na cama
Na praia

As cordas que nos uni

Transporta
Transborda
Em sons, em ondas

Leves, levam
Lavam, larvas de bicho
Na fruta
Lavas de vulcão
No peito

Melodia e música

Gil e Djavan
Acordes
Cerveja e whisky
Goles

Somos


O quê? Por quê?

Sem perceber
Somos

Ruivo e preto

Branco e amarelo
Carinho 
Comunicação sem palavras
Olhos que dizem

A sereia

A esfinge
O leão
Juntos, sempre
Uma aventura
Ou uma fábula?

Algo a aprender

E a ensinar

Embriagados ou sóbrios

Fumaça e álcool
Lucidez ou torpor

Somos


Anjo e demônio

Segredos e revelações
E o que mais?

Quem sabe? 


Tudo ou nada

Acabou de começar



Bia Crispim

DEVORADOR DE MIM

Você, menino
Traquino
Leão de garras 
E pelo
Perigoso, devorador

Meu pequeno

Desprotegido, infante
Eu, leoa, sua
Protetora, defensora
Conselheira mãe
Amiga amante

Bicho que quero perto

Pele ou pensamento
Sentimento
Energia e conexão

Meu menino

Traquino
Leão de garras 
E pelo

Pelo caminho

Pele nua
Constelação na carne
E nos olhos

Miram-me, invadem-me

Dizem-me coisas
Revelam-se
Descobrem- me 
Conversa sem palavras

Leoa atente

Materna, esperta
Quer-te ao colo
Quer-te ao ventre
Quer-te perto

Coração de leão

Coração de leoa
Meu menino
Traquino
Perigoso devorador de mim



Bia Crispim

TUAS CORES

Em tua pele branca
Estrelas, céu e mar
Multicores

Em teu sorriso
O azul de um dia claro
Em primavera

Em teus olhos
A escuridão da noite
A calmaria e o mistério
Os sonhos que quero ter

Em tua voz
Ondas e música
Sensibilidade e delicadeza
E os segredos
Que preciso saber

Em teus sonhos
Um mundo inteiro
Amarelo de sol
Esperando o crepúsculo

Em teu coração
O vermelho sangue
Que te impulsiona
A ser meu
Quente


Bia Crispim

AVENTURA DO QUERER

Quero dizer
Palavras
Que sejam claras
Calmas
Que não te amedrontem
Que te faça
Feliz, enfim

Quero beijar
Teu corpo
Sem que tu te assustes
Com prazer e doçura
Porque, assim,
Abrirás tua alma
E eu dormirei em ti

Quero olhar
Teu sono
Teu sonho
E proteger-te do pesadelo
Para acordares sorrindo
Inocente feito menino

Quero tocar
Tua pele
E sentir nela
O homem que lá habita
E trazê-lo para o mundo
E permiti-lo em mim

Quero tanto
Quero tudo
Quero teu corpo e alma
Teu presente e futuro
Quero-te meu
Mesmo que numa aventura
Passará


Quero saber
O que tens para mim
Qual dos lados?
Todos? Os mais evidentes?
Ou os mais escusos?
Dê-me uma luz
E não temerei a descoberta

Tatearei as paredes de tua mente
Deslizarei em tuas veias
Alimentarei-me de tua carne e sangue
Caminharei teus passos
E acordarei dentro de teu coração
Quando ele se aquietar



Bia Crispim

sábado, 13 de abril de 2013

OX

OX pra perder a cor
OX pra ficar vermelha
Loira, O X, na pele
Dourada, bronzeada

OX pra ser oxigênio sem ar
ParadOXo de mim mesma
OXímoro de tudo

OX, NOX, FOX, BOX
Quantas rapozas cabem dentro?
Quantas rapozas ruivas?
Tantas caixas
Tantas rapozas
Tantos rapazes 
Dentro de uma caixa

A maioria cheia de nada
A minoria vazia de tudo

OX, NOX, química e biologia

vida, filosofia

OXidar, repirar

OXigênio pra provocar
Combustão
Fogo
Sangue

OXidando em minhas veias

Bom e mal, correndo
Remédio e veneno
Indo e vindo
P U L S A N D O
Dentro e fora
Explodindo
No coração

Sou a menina linda mais feia por quem me apaixonei
Odeio essa paixão, esse amor

Amor, paixão, colchão
No chão
OX
PARADOX

Menina boa...
Sou o pior de mim. 



Bia Crispim


QUARTA DE CINZAS

Vi você no carnaval
Nu
Carne e alma
Frevo, maracatu
"Chuva, suor e cerveja"
Recife, Olinda
De pernas abertas
Ladeira acima 
Colombina do Pierrot
De quantos?
Blocos
De gente, de pele
De febre
Exaustão
Multidão

Vi você no carnaval

Nu
Carne alva
Branca reluzente
De purpurina
De melanina
Sol pra dourar
Mar e sal
Braços abertos
Ondas acima
Água e calor
Sereia naufragada
Sereia do marujo
De quantos?
Navios
Barcos e barcarolas
Porto, ressaca
Olhar

Vi você no carnaval

Nu
Nus
Nós
E todos os blocos,
Barcos, Baco
Bacanal
Carnaval
Animal
Bestial
Quatro dias de fogo
As cinzas são reais.


Bia Crsispim

terça-feira, 9 de abril de 2013

CANTO DE DESENCANTO

Cadê o menino?
Encantou-se
Em canto
Cantador
Canta a dor
De perder-se
De não ser mais
O doce menino
Menino bom
Descartou

Cadê o menino?
Cantou
Encantou-me
Perdeu-me
Perdeu-se
Entre pernas
Entre beijos
Entre volúpias
De amor

Cadê o menino?
Encantado
Ficou no canto
Que cato
Mas não acho
Descarto
E canto
A minha dor

Encantador menino
Que foi feito de ti?
Que foi feito do encanto?
Do canto?
Do cantador?
Encantou-se
Isolou-se
Acasalou
Hibernou

E o canto de um dia
Tornou-se pranto
Tornou-se saudade
Tornou-se dor
Desencantou



Bia Crispim

LIVRE PRISIONEIRO

A liberdade de nós dois
É prisão que ganha asas
Como dois que cabem tantos
Universo que nos separa

Nas palavras uma saudade
Um desejo de prender
De ficar por vontade
De querer permanecer

Em nosso voo de lados opostos
Embates e dilemas
Tornamo-nos libertos
Na certeza de algemas

Invisíveis cordas, correntes
Grilhões de emoção
De longe, de perto, sempre
Amarrados pelo coração

Eis tu, meu Negro livre
Eu, tua eterna dona
Como rosa cultivada
Em frágil e protetora redoma


Bia Crispim

SOL(U)AR

Um dia o sol
Um dia  o mar
Um dia-dia
Sol e mar

Um dia céu
Um dia chão
Um dia-dia
Céu e chão

Um dia terra
Um dia ar
Um dia-dia
Terra e ar

Um dia o sol
Encontrou o mar
Encontrou o céu
Derramou-se ao chão

Toquei a terra
Voei no ar
Um dia-noite
Sol e luar


Bia Crispim

terça-feira, 2 de abril de 2013

MOLHADA

Quando sonho contigo
Fico úmida
Quando te vejo
Me molho
Quando estás dentro de mim
Transbordo

Sou água, sou vida
Derretida em teu prazer



Bia Crispim

CORPO INTEIRO

Um dia meus olhos se abriram em febre.
O sol ardia neles como chama que se dissipa rápida e feroz, entrando frestas adentro.
Vi o mundo com clareza e a beleza era evidente.
Sua pele branca tornou-se transparente e pude conhecer você.
Só eu tinha esses olhos. E só eu sabia, agora, quem você era: ser indefeso, frágil e infante. Tão cheio de medos e traumas e questionamentos.
Por trás da casca forte, um menino.
Cerrei as pálpebras e abri os braços para acalentá-lo como uma mãe faz com um tenro rebento. 
Num piscar de olhos, quem me tinha nos braços era você.
Amamo-nos em brasa. 
Quente como o sol que ardia, naquele instante, no corpo inteiro.



Bia Crispim

PARTIR

Morte, partida, passagem
Transferência
Outra dimensão
Outro plano, outro campo
Desconhecido
Etério
- Quero chegar de barco, sem nenhum vintém!


Bia Crispim