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sábado, 20 de abril de 2013

A CASA

A casa era toda feita de tijolos cozidos brancos à mostra.
Ampla, grande para abrigar muita gente: AMIGOS.
Quadros coloridos, máscaras, telhas pintadas, painéis multirraciais.
Em cada canto um altar e imagens esculpidas na madeira bruta. Vida de santos e mártires. Estantes, livros e cristais.
A casa que abriga gente, abriga pássaros que se sentem no direito de entrar janelas largas abertas adentro para beliscar as migalhas da cozinha. Abrigo de cães e lagartixas.
O vento trazia o mar, atravessando cercas pintadas de vermelho e branco. Madeira e trepadeiras entrelaçadas... Floridas.
Nos cantos canteiros, o agrião tremia na língua.
Hortelã, manjericão, tomates... uma horta.
Daqui e dali, sons de mar e vozes, conversas muitas de amigos e amantes.
O cheiro da cozinha arreganhada para todos os lados da casa aumentava a gula, atiçava o estômago e os olhos cresciam para se alimentar de tantos sabores.
O caranguejo, o pirão, a feijoada preta, a salada e a sobremesa... Hummm!
De vez em quando, cheiros e sabores novos. Café, jerimum caboclo e rapadura. Cascas de laranja cristalizadas, tabaco, ervas, incenso e cerveja pra brindar.
A casa abrigava borboleta, enorme sobre o telhado.
No aconchego daquele lar, que murmurava mar, vento, histórias e sorrisos, aprendia, eu, o ensinamento da temperança.
Temperança... Palavra bonita de ouvir e importante para ser compreendida.
A piscina em forma de estrela que caíra no jardim, imitava um senado, um forte. Cinco pontas para cinco cabeças, mergulhadas, que pensavam e discutiam; gargalhavam de fatos e assuntos engraçados.
Conversas de viagens, de pessoas, de relacionamentos.
Ao lado da horta, a casa também abrigava balanços e gangorras e mesa com cadeiras para mais conversas, à noite, ao ar livre, observando estrelas e a lua minguante que sorria, vendo, talvez, a linda borboleta do telhado. 
Línguas de gente misturadas com as da natureza.
Beija-flor, pombos, pardais, vizinhos e frequentadores assíduos. Bento, menino, criança benta e tagarela.
As redes guardadoras de sono. As camas aconchegantes e a paz, em cada movimento executado ali.
A casa permitia descobertas. Frestas e recantos que guardavam segredos e surpresas.
Uma vida para decifrá-la.
Ótima anfitriã, a casa.
Anfitriã de homens, mulheres, crianças e animais.
Anfitriã da temperança divina.
Deus habita ali.


Bia Crsipim

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