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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A BOBA E O MENINO

Falar que é amor, talvez seja exagero.
Mas é vontade.
É querência.
Carência, pode ser.
É desejo, pele, química...
Corpo pulsando pulsante. (Quente.)

Quente o coração acelera.
Esquenta, mas dá um frio (dentro).

Dentro
germina alguma coisa
que perturba:
uma semente deixada.

Não sei se o olhar,
ou o sorriso,
ou a voz doce.
Quiçá tudo isso junto.
E mais o quê?

O toque, a delicadeza dos atos,
o cuidado (de quando estamos a sós),
ou esse carinho que ultrapassa o senso,
transpõe as barreiras,
os olhos alheios,
para vivermos num mundo onde só nos cabe.
(Redoma.)

Quem mais, além de nós, entende?
Quem sabe o universo.
(Indiferença nossa.)


Há certas ocasiões em que imagino que esse nosso mundo pertence só a mim.
Devaneio, desvario meu, onde tu cabes.

Aí, de repente, apareces assim:
menino, terno... apaixonante.
(Apaixonado?!)
Conversa comigo pelo olhar
e desperta-me. (Ele conhece esse lugar.)

Como me vês? Igual?
Ou, sou eu que, atordoada, creio e quero (n)isso.

Perturbador, provocador,
abre-me as janelas,
escancara-me as portas,
porém não consigo transpô-las.

Medo?!
Dúvida?!
Timidez?!
(Sinto)

Sinto medo de afastá-lo.
Duvido de tudo e se tudo ou quando tudo...
Intimido-me diante da liberdade que me dás de ser meu,
de eu ser tua.

Tua?!
Quando?
Tarde ou nunca?
Ou a qualquer hora?
(Sempre.)

Há uma membrana,
uma nebulosidade,
um elo que ainda não foi encontrado, 
uma experiência não vivida.

Tenho-te fragmentado...
Quero-te inteiro! 

Por onde começar?
Ou é melhor silenciar-me?
Conversar?
Sobre minhas inquietudes
ou da paz que sinto em estar contigo.
(Senti-lo.)

Quem és tu, menino, em cuja presença meu corpo treme?
(Arrepio.)
E sente vontade de...
Invadir,
consumir,
delirar,
dormir e sonhar.

Quero-te meu.
Loucura ou birra de menina malcriada 
que quer por que quer o brinquedo que julga seu.

Brincamos, mentimos, disfarçamos, provocamos.
Será um jogo?
Certamente o é.
E és tu quem dita as regras.
E eu as desconheço.
Sou brinquedo teu.

Quem és tu, menino?
Quem sou eu nesse tabuleiro?
Quem somos nós?
Rei e Rainha,
ou peões de um joguete do destino?

Não há respostas nos livros que leio.
Nem no que escrevo. (Palavras indecifráveis.)
Nem os outros podem dizer. (Não saberiam.)

Ou, certamente, sim,
caso nos vissem próximos.
E, talvez, dissessem algo:
(A verdade?!)
- Lá vai a boba diante do menino.
- Lá vai o brinquedo que brinca com a brincante.

Bia Crispim

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Profundo, e talvez sincero. Afinal, grande parte dos poetas não sentem o que escreve, são verdadeiros atores e atrizes, lindos são seus atos numa folha de papel.

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