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segunda-feira, 5 de maio de 2014

HÁ VAGAS

Ao poeta que disse que não as havia.

No meu coração
Há vagas
Vagas de mar
Abertas à espera de rastros
De pés descalços
De noites e luar

Na memória
Há vagas
Dos episódios esquecidos
Dos amigos que se foram
Dos que seguiram seus rumos
Dos bons tempos idos

Há vagas
Verbo empregado correto
Porque sempre há de haver
O coração há de pedir
A memória há de querer
Há vagas sob meu teto

Há vagas
A serem preenchidas
Como um quebra-cabeças
Há vagas
De peças perdidas
Num baú esquecidas

Bia Crispim

PALAVRÔCA

Quando não dizer é essencial, porém, angustiante.

palavrôca
louca
vazia de tudo
cheia de nada
parada
sem força
nem som
ou sentido
palavrôca
toda
encantamento
que não se diz
boca que não se abre
língua que não se move
inércia
oca palavra
sem coragem
acuada
massacrada
em becos
cujas saídas
foram bloqueadas
palavrôca
louca 
frouxa
suspensa
entre olhos
e ações
entre mim e ti
quero uma
plenapalavra
palavracheia
recheada
que transmita
o que quero
o que sonho
e sinto
o fogo
que arde em mim
em febres
em calores
repentinos
momentâneos
constantes
palavraço
palavraponte
que te atinja
feito flecha
envenenada
de amor

Bia Crispim