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terça-feira, 2 de junho de 2015

PROFUNDO

Ele era assim:
Um menino
Um menino que para mim era um homem.
O homem que eu queria naquela noite.
Viril.
Jovem.
E sedento.

Desejando-me sem escrúpulos.

E eu o queria dentro.
Inteiramente dentro da minha alma e do meu corpo.



Bia Crispim

ENQUANTO HOUVER FOME

Sinto saudades do que poderia ter sido e não foi.
Saudades dos beijos que foram interrompidos nos lapsos de consciência.
Do embate de corpos que ficaram nas camas separadas e na troca de olhares vacilantes.
Saudades sinto do que sobrou.
Do que poderia ter sido, do que foi, do que poderá ser - longínquo.
Tempo em que o desejo não se encontra com nexo.
Sinto saudades de cada palavra apaixonada, dita espontaneamente e ocultada aos ouvidos alheios.
Saudades de deixá-lo sem jeito e com tanta graça.
Saudades das revelações que eu ouvi e não mais poderei.
De cada verso deixado ao léu para me encher de poesia.
Poesia que eu não mais leio.
Saudades do que poderia ser escrito ou cantado.
Sinto saudades do ciúme e de me sentir prisioneira propriedade tua.
Saudades de te pertencer num futuro de próximo instante.
Qualquer instante.
Saudades dos arroubos.
Saudades do que poderia ter sido, do que será.
Tão diferente do que sonhei - sonho!
Porém, possibilidade.
Saudades do possível que alimentarei todos os dias,
enquanto houver fome.



Bia Crispim

EM MINHAS VEIAS

Catecolaminas
Minas de êxtase
De sabor
Na boca e no resto
(Corpo)

Catecolaminas
Movem-me
Em minhas veias
Ódio e amor

Indiferenciado
É tudo igual
Crianças lambuzadas no prazer
Preciso do teu norte, criança!

Catecolaminas
Potentes
Latentes
Máximo
Tronco de sensações

Multi
Pluri
A mesma coisa
Tão diferente
(Minas do que eu sinto)

Contigo na minha boca
Fora dela
Saudade
Cato, canto, conto
Sem respeito

Beijei-te
E és meu desejo
Íris dilatada
E gozo

Disparei simpática
E a única certeza
Era o teu ser
Extasiando-me


Bia Crispim

DIAS DE FESTA

Aos leões do meu bando


"Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente..."

Porque março 
é meu aniversário
e a gente vai se encontrar,
vai se amar.

Maio passa rápido
e nele nos casaremos.

Junho comemoraremos
nosso arraiá.
Nossa festa.

Julho, Sant'Ana nos protege.

Agosto é seu
e mais uma vez
a saudade não vai matar ninguém.


Bia Crispim

NÃO SEI

A certos homens que me preenchem com o que necessito


Eles me amam.
E se não,
Mentem e eu acredito

Um dia pensaram:
Ela é carente.
Está.

Mensagens e depois,
Presenças.

Cada palavra
Acreditada e 
Acolhida.

Durmo bem.
Durmo amada.
Mesmo que distante.
Mesmo que quimera.

Não sei.


Bia Crispim

PAPAYA

Gil era a bola da vez


As almas cheiravam
a talco
a palco
a algo

Cerveja e embriaguez
Talvez!

As almas embriagadas
afugentavam
o inverno
o inferno
o eterno

Porque o presente
Era bom demais!


Bia Crispim

GOSTO!

Gosto do gosto
da música
nas cordas
e nos desafinos

Gosto do gosto 
da cerveja 
musicada 
com tua voz

Gosto do gosto
do som
embalado na rede
na madrugada

Gosto de me sentir ovular
e entre um e outro 
neologismo, 
um gosto, um gozo.

Como é bom gozar!


Bia Crispim