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terça-feira, 2 de junho de 2015

ENQUANTO HOUVER FOME

Sinto saudades do que poderia ter sido e não foi.
Saudades dos beijos que foram interrompidos nos lapsos de consciência.
Do embate de corpos que ficaram nas camas separadas e na troca de olhares vacilantes.
Saudades sinto do que sobrou.
Do que poderia ter sido, do que foi, do que poderá ser - longínquo.
Tempo em que o desejo não se encontra com nexo.
Sinto saudades de cada palavra apaixonada, dita espontaneamente e ocultada aos ouvidos alheios.
Saudades de deixá-lo sem jeito e com tanta graça.
Saudades das revelações que eu ouvi e não mais poderei.
De cada verso deixado ao léu para me encher de poesia.
Poesia que eu não mais leio.
Saudades do que poderia ser escrito ou cantado.
Sinto saudades do ciúme e de me sentir prisioneira propriedade tua.
Saudades de te pertencer num futuro de próximo instante.
Qualquer instante.
Saudades dos arroubos.
Saudades do que poderia ter sido, do que será.
Tão diferente do que sonhei - sonho!
Porém, possibilidade.
Saudades do possível que alimentarei todos os dias,
enquanto houver fome.



Bia Crispim

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